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Pelo Refis das dívidas fiscais

Ninguém quer dar calote ou quer anistia. Os clubes pleiteiam tão somente um refinanciamento das dívidas astronômicas, frutos de más gestões passadas

Jaeci Carvalho - Estado de Minas

Os clubes brasileiros estão endividados, de pires na mão e correndo do fisco. A situação, que se arrasta há anos, está estourando no colo dos dirigentes atuais. O Brasil virou o país do faz de conta. Quando se ouve falar que uma instituição deve R$ 750 milhões e outra R$ 500 milhões, parece uma bagatela, um débito pagável na hora, que bem entender. A coisa não é tão simples. Primeiramente, R$ 500 milhões é dinheiro demais. Segundo, nenhum clube brasileiro tem condições de pagar essa quantia, a não ser que os órgãos que controlam o fisco façam o chamado Refis, refinanciamento a longo prazo.

 

 

O que tem ocorrido é que o clube vende um jogador para tentar equilibrar as finanças e, antes mesmo que o dinheiro entre no país, a Justiça pede o bloqueio para pagamento de tais dívidas. Foi assim com o Atlético na venda de Bernard. Ele já atua no Shakhtar Donetsk, mas o dinheiro nem sequer foi pago. Foi também com o Botafogo na negociação de Vitinho. E vai ser assim com qualquer outra agremiação que deve impostos.

O presidente do Galo, Alexandre Kalil, que já pagou mais de 180 títulos em cartório de dívidas trabalhistas, gastando nada menos do que R$ 45 milhões nisso, lidera movimento de dirigentes em busca de negociação, de um parcelamento sério, honesto e coerente. Ninguém quer dar calote ou quer anistia. Os clubes pleiteiam tão somente um refinanciamento das dívidas astronômicas, frutos de más gestões passadas. E não tem mesmo de haver anistia. Cada um que pague seus impostos, pois nós pagamos os nossos, que são pesadíssimos, e em contrapartida recebemos falta de leitos em hospitais, rodovias da morte, como a BR-262, falta de segurança, habitação, educação... Viram como é um país “justo”?

Sou a favor da responsabilidade fiscal, da prisão para más gestores. Sabe-se que há gente que se candidata ao cargo de presidente de clube de futebol para usurpar o dinheiro da instituição e ficar rico. Lembram-se de Edmundo Santos Silva, acusado de desviar mais de R$ 80 milhões dos cofres do Flamengo em negociação com a falida empresa suíça ISL? Pois é. Preso, ele alegou que não era bandido comum e não deveria ser tratado como foi. Realmente, tinha razão. Um cara que desvia R$ 80 milhões não é bandido comum, e sim profissional. Por essas e outras, o rubro-negro é o clube mais endividado do país, com mais de R$ 750 milhões de rombo, a maioria em impostos não recolhidos.

Hoje a coisa mudou. O Fla pode até correr o risco de rebaixamento, mas o atual presidente, Eduardo Bandeira de Melo, se preocupa em sanear o clube, pagar tais dívidas, buscar soluções. Ex-presidente do BNDES, ele sabe muito bem o que tem de fazer. O problema é que o torcedor só pensa no time, e não nas finanças. Caso ocorra o rebaixamento, talvez ele nem chegue ao fim da sua gestão. Não é fácil gerir clube no Brasil, quando a pessoa é bem-intencionada. Temos muitos exemplos de presidentes venais, que enriqueceram às custas dos clubes.

Curiosamente, há um capítulo à parte na história da anistia e de isenção: o Corinthians. Tão vencedor, um dos orgulhos do nosso futebol, ele recebeu um terreno, com isenção de impostos por parte do governo, para construir o Itaquerão, estádio que será palco da abertura da Copa do Mundo. E ninguém diz nada, fala nada, e tudo fica como está. Perguntem a um trabalhador, que recebe salário mínimo, se ele já ganhou um terreno para a construção de sua casa? Uma vergonha só!

Que Kalil, sério, transparente e vencedor – acaba de dar ao Galo o título mais importante de sua história –, consiga unir colegas de bem e ir a Brasília em busca de solução para o pagamento de tais impostos. Os clubes não podem continuar com dívidas astronômicas, precisam pagá-las, mas tudo dentro de uma coerência. Não é o fisco determinando bloqueio de bens que vai solucionar a questão. A melhor forma é o refinanciamento a longo prazo, com pagamentos religiosamente em dia. Quem quebrar o acordo que sofra alguma sanção – quem sabe até ser impedido de disputar competições, como na Europa, quando equipes em débito com o fisco gastam mais do que têm? Já passou da hora de os dirigentes se unirem e trabalharem em prol dos clubes. E de terem também responsabilidade fiscal.

Exclusivo

O Cruzeiro recebeu duas propostas altíssimas para negociar Ricardo Goulart e Nílton – da italiana Udinese, por 8 milhões de euros, e do francês Saint-Etienne, por 3 milhões de euros, respectivamente. Mas o clube admite vender algum jogador no fim do ano para fazer caixa. Pretende, porém, contratar um atacante de alto nível para a eventual Copa Libertadores. O objetivo do presidente Gilvan de Pinho Tavares é manter um time forte, em condições de ganhar tudo o que disputar. É o trabalho do jovem diretor Alexandre Mattos dando resultado. O armador e o volante vieram por preços bem baixos e se valorizaram com a grande campanha do time no Brasileiro.

Galo

O Atlético faz esta noite, contra o Criciúma, um jogo antecipado deste returno. Vale lembrar que ele ainda tem um atrasado do turno, diante da Ponte Preta. O time melhorou a pontuação nesta metade da competição, mas continua a dever bom futebol. Curiosamente, Cuca deu entrevista dizendo que o Galo pode ser o campeão do returno e chegar entre os primeiros do Brasileiro e vai brigar por isso. Sinceramente, não entendo. Quando entrou no Brasileirão depois de ganhar a Libertadores, ele havia afirmado que não estava nem aí para a principal competição do país e a prioridade era a Copa do Brasil. Eliminado dela, no mata-mata com o Botafogo, viu a equipe frequentar o Z4 do Nacional e agora diz que tem tempo de até de buscar o título. Isso me parece mais brincadeira. O técnico tem de treinar seu time e dar a ele padrão de jogo decente para não fazer feio no Mundial de Clubes do Marrocos. Falar em ganhar o Brasileiro soa mais como piada, uma vez que está a 19 pontos do líder, Cruzeiro. Já escrevi que haverá uma invasão preta e branca ao país africano, com essa gente sofrida sonhando com o título mais importante do mundo. Mas, com esse futebolzinho de quinta categoria, como o do segundo tempo contra o Vasco, nada feito. A não ser quem gosta de se iludir. Do jeito que vai, o sonho pode se transformar em pesadelo. Estou avisando há tempos. Como diz Kalil, engenheiro de obra pronta é o que mais tem na imprensa brasileira.

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